quinta-feira, setembro 08, 2022

John Lennon


No dia 8 de Dezembro de 1980 minha mãe estava sentada em frente a tv da sala, ela assistia atentamente ao noticiário e como não se virou quando a chamei, fui em sua direção e me surpreendi ao ver que ela estava chorando.

Eu, na inocência dos meus 5 anos, perguntei a ela o que tinha acontecido, se ela estava machucada ou se alguém tinha brigado com ela, afinal de contas, até então minha mãe nunca havia chorado na minha frente e eu não conseguia pensar em outra coisa que pudesse fazê-la se sentir assim.

Ao ver minha aflição ela se virou p/ mim e com a voz embargada e o rosto marcado pelas lágrimas, me disse que na verdade ela estava muito triste porque um moço chamado John Lennon tinha morrido.

Continuei confuso e quis saber de onde ela conhecia esse moço p/ ficar tão triste assim. Foi ai que ela começou a me explicar, com aquela paciência típica das mães, que ela não o conhecia pessoalmente, mas que ele foi um músico que fez parte do grupo de rock/pop mais importante de todos os tempos, os Beatles, e que ele escreveu algumas das músicas mais marcantes da sua geração e por consequência da nossa história.

Ela continuou falando e me disse que depois de um tempo esse grupo se separou e que o moço da tv começou a tocar suas músicas sozinho, mas que além disso, ele também lutou pelos direitos civis, pelo fim da guerra, pelo fim do preconceito contra os negros e as mulheres, pela paz e por um mundo melhor e mais justo.

Mesmo sem entender muito bem (ou quase nada) do significado de algumas dessas palavras, segui hipnotizado pela história que minha mãe contava, tanto que também fiquei sabendo que ele estava longe de ser perfeito, que incomodou muita gente (para o bem e para o mal) e que chegou até a ser perseguido pelo governo por causa de suas opinões.

Ela me disse até que ele chegou a desistir da música p/ cuidar de seu filho recém-nascido e que quando acabará de lançar um disco novo depois de mais de cinco anos, foi morto a tiros por um "fã" desequilibrado em frente ao apartamento onde morava e que essa era justamente a causa das lágrimas de minha mãe.

A história da minha mãe acabava ali juntamente com o noticiário e desde então, muitos anos se passaram e o garotinho de 5 anos se transformou em um homem que acabou descobrindo por si só a importância que esse moço teve na música e principalmente em sua vida, pois se não fosse por ele e pelos Beatles, hoje provavelmente não existiria esse cara apaixonado por artes, cinema, música e literatura e que agora se arrisca escrevendo esse texto.

Agitador, contraditório, bêbado, drogado, polêmico, revolucionário, visionário, louco ou genial. Cada um tem uma opinião diferente sobre ele e talvez todos estejam certos ou errados sobre uma coisa ou outra, mas independente disso, acho que eu só posso dizer muito obrigado por tudo John Winston Lennon.

quarta-feira, agosto 10, 2022

Jeff Buckley - Grace

Primeiro e único álbum lançado por Jeff Buckley em vida, Grace foi escrito em parceria com Gary Lucas e com certeza não é injusto compará-lo a um daqueles vinhos que abrimos somente em ocasiões especiais.

Os arranjos que alternam violões acústicos e guitarras ruidosas, juntamente com o tom minimalista e que subitamente se torna forte e grandioso, se funde a voz acalentadora e melancólica de Buckley de uma forma tão perfeita que só nos fazem lamentar o fato dele ter lançado apenas esse álbum, já que meses depois morreu afogado em circustâncias no mínimo misteriosas.

O álbum nos leva por uma viagem que vai desde o mais completo desespero até a mais pura alegria sem destoar nem por um segundo e prova sua longevidade e beleza ao ser sempre citado como influencia por gente como Arcade Fire, Devendra Banhart, Muse e Radiohead, além de deixar embasbacado uma figura como Jimmy Page, que certa vez disse algo como "Jeff Buckley foi a coisa mais extraordinaria que apareceu na música na última década".

sexta-feira, julho 01, 2022

Random Access Drops Vol. 2

Um boteco qualquer
Um cigarro amassado
Algumas doses de whiskey
Não demoro a ficar embriagado

Rostos desconhecidos, olhares pálidos
Dor, indiferença, compreensão
Refletem minha culpa
Escancaram meus medos e minha indisfarçavel solidão

Não pertenço a esse lugar, não quero ficar
, Estou preso em outro momento, talvez em outra dimensão
Onde minhas mentiras ainda não tinham causado tanta desilusão
E éramos muito mais do que arrogância e frieza sem nenhuma emoção

quarta-feira, junho 01, 2022

Random Access Drops Vol. 1

Já são três da manhã e eu ainda não consegui dormir
Seria insônia ou tudo isso é só porque eu te vi?
Lavo o rosto, me olho no espelho, que desgosto
Abatido, talvez meio perdido, sem ter o que fazer e nem tão pouco onde ir

Não sei quanto tempo levou
O som do espelho quebrado
O barulho ensurdecedor da casa vazia
Não sei se conseguirei viver um outro dia

Ajoelhado entre pedaços de vidro
Ferindo a carne, refletindo minha agonia
Pensei que viveríamos para sempre
Que ideia mais louca, será que foi tudo fantasia?